Eu mantive contato com uma ex por anos escondido da minha atual companheira e até hoje não sei se considero isso uma traição. Não houve encontro secreto, beijo, sexo, nada físico. Mas havia conversa. Muita conversa. Eu procurava minha ex quando estava frustrado, quando brigava em casa, quando sentia saudade de alguma versão antiga de mim.

A gente falava de trabalho, família, vida, mas também lembrava de momentos nossos. Nunca escrevemos diretamente “quero voltar”, porém existia uma intimidade que eu sabia que minha companheira não aceitaria. E justamente por saber disso eu apagava mensagens.

Esse é o ponto que me condena na minha própria cabeça. Se era realmente inocente, por que eu precisava esconder? O contato terminou faz tempo, não porque minha companheira descobriu, mas porque um dia eu percebi que estava usando minha ex como uma espécie de saída emocional sempre que minha relação atual ficava difícil.

Cortei de vez, apaguei o número e nunca mais procurei. Desde então meu relacionamento melhorou muito. A ironia é que hoje minha companheira confia mais em mim do que naquela época. Às vezes ela fala que uma das melhores coisas entre nós é a transparência e eu sinto um peso no estômago.

Já pensei em contar tudo. Mas pra quê? Pra aliviar minha consciência e jogar a dor pra ela? Ao mesmo tempo, se eu escondo, estou decidindo sozinho que ela não precisa saber de algo que talvez mudasse a forma como ela vê nossa história. Eu fico preso nessa pergunta: confessar sempre é honestidade ou às vezes é só uma forma egoísta de dividir a culpa?

visualizações1 comentários0 reações0
Responder com uma publicação

Sentiu que falava de você?

Sua história também tem lugar aqui. Sem nome, sem e-mail, sem nada que aponte para você.

Escreva sua história

Comentários

Ainda não há comentários publicados.
Seu comentário vai aparecer na hora.
Leia mais Fingir que está bem tem um preço, e você paga parcelado «Tô bem» é a frase mais treinada de qualquer idioma. Quase nunca é mentira completa, e é aí que mora o problem…