Eu terminei uma relação porque achei que estava me acomodando e hoje não sei se cometi o maior erro da minha vida ou se só estou romantizando o passado. Meu ex era uma pessoa tranquila. Não havia grandes brigas, nem grandes paixões cinematográficas.

A gente tinha rotina, amigos em comum, fazia planos simples. Eu comecei a sentir que estava vivendo uma vida pequena demais. Via outras pessoas viajando, mudando de país, começando negócios, vivendo relações intensas e comecei a achar que eu tinha escolhido cedo demais uma existência previsível.

Terminei mesmo ele querendo continuar. Na época senti liberdade. Viajei, conheci gente, vivi histórias mais intensas, troquei de trabalho, fiz coisas que eu achava que precisava fazer. Só que nenhuma dessas experiências trouxe exatamente a sensação que eu imaginava.

Algumas foram boas, outras um caos. Recentemente descobri que ele vai se casar e fiquei destruída de um jeito que não esperava. Não porque achasse que ele ficaria me esperando, mas porque alguma porta simbólica se fechou. Desde então eu lembro da nossa relação só pelas partes boas, o café de manhã, as piadas internas, a paz, o jeito como eu podia ficar em silêncio perto dele sem sentir obrigação de impressionar.

E aí eu fico com medo de ter confundido tranquilidade com tédio. Só que também sei que memória é traiçoeira. Talvez se eu tivesse ficado, hoje estaria reclamando exatamente da vida que agora idealizo. Acho cruel que algumas decisões só possam ser julgadas vivendo a vida que veio depois, porque nunca temos acesso ao caminho que abandonamos.

Eu não sei se sinto falta dele ou da versão de mim que ainda acreditava que segurança era pouco.

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