Tenho raiva da minha sogra e o pior é que ela nunca fez nada grande o suficiente para eu apontar e dizer “é por isto”. São pequenas coisas acumuladas durante anos. Comentários sobre a comida, sobre como educo os meus filhos, sobre a minha família, sobre como organizo a casa, sobre o facto de trabalhar muito.

Sempre vem embrulhado como preocupação ou piada. Se respondo, diz que sou sensível. Se fico calada, continua. O meu marido cresceu com ela e quase não ouve essas frases. Quando lhe conto, ele diz “tu sabes como ela é”. Eu comecei a odiar essa frase porque no fundo significa “ela não vai mudar, então muda tu”.

Passei anos a tentar manter a paz. Agora evito alguns almoços e ela começou a dizer que eu estou a afastar o filho dela da família. Alguns parentes já compraram essa versão. Eu fico com aparência de nora difícil porque ninguém assistiu aos dez anos anteriores, só vê o momento em que finalmente parei de sorrir.

O mais triste é que eu não quero guerra nenhuma. Eu só queria conseguir estar num almoço sem sentir que estou a ser avaliada. Às vezes relações familiares não explodem por uma grande ofensa, morrem devagar de mil pequenos desconfortos que todo mundo chama de bobagem até a pessoa cansar.

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