Descobri recentemente que o homem que sempre chamei de pai talvez não seja meu pai biológico e não sei se quero confirmar. Encontrei documentos antigos, cartas e datas que simplesmente não batem. Há outro homem mencionado várias vezes perto da altura em que nasci.

A minha mãe nunca falou dele. O meu pai criou-me desde o primeiro dia, esteve em todas as fases importantes, ensinou-me a conduzir, pagou estudos, brigou comigo, abraçou-me, fez tudo que um pai faz. Então por que saber o sangue importa tanto?

Eu próprio não entendo. Uma parte de mim sente que tenho direito à verdade, inclusive por questões médicas. Outra parte tem medo de abrir uma porta que não pode voltar a fechar. E se o meu pai não sabe? E se sabe e escolheu ficar? E se toda a família sabe menos eu?

Às vezes observo a minha mãe tentando encontrar no rosto dela alguma pista e sinto-me ridículo. Ainda não fiz teste de ADN porque tenho medo de transformar uma suspeita num facto. As pessoas dizem que verdade liberta, mas eu não tenho certeza.

Algumas verdades talvez apenas mudem o nome das coisas sem melhorar nada.

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